De Volta Ao Velho Deus – Um Soneto Escuso, Nefasto E Digno

Placa no mar vermelho.

Como seria se Moisés abrisse o mar vermelhor hoje?

É deveras estranho que hoje eu já não possua o antigo gosto pelas poesias, e se isso não é de todo bom, talvez não seja de todo mal. O pouco e escuso talento já a muito se foi, e o que me resta é apenas reler o que é antigo e velho. A poucos dias lhes postei o soneto Após O Vendaval e também um denominado Anjos E Demônios, e hoje irei publicar outro que foi escrito mais ou menos na mesma data dos anteriores, cujo título é De Volta Ao Velho Deus.


Foi feito na minha adolescência, uma época incerta, como o é para todos os homens. É onde tudo parece mudar, repetidamente, geração após geração, mas de fato não muda nada. Foi quando me fiz com mais intensidade uma pergunta que sempre me intrigou, até os dias de hoje: o que é deus? E defini a incerteza do meu ateísmo como sendo a certeza de que os deuses, no mínimo, não são como dizem que são, e desta fatídica conclusão nasceram as palavras da pequena poesia que se segue:

De Volta Ao Velho Deus

Revelarei o que não é oculto

Ao suportar o abraço esmagador

De quem espera e jamais virá

E vindo derrama terrível desgraça

Vi o amor curtido em ódio

E o preço do livre arbítrio

Fechei os olhos para não chorar

Do destino da sabedoria humana

A própria bondade tornar-se-a má

Quem tem um ouvido ouvirá com dois

O céu não cairá pois não há mais céu

Eu amei o novo mundo que surgiu

De puro e belo e digno… inteligente

Logo será nefasto, como o primeiro

Eu não havia descoberto o mistério da origem das religiões humanas, mas tudo parecia se encaixar, e deus ainda poderia existir, desde que não fosse como o descreviam. Afinal como um reles animal bípede pode compreender algo a respeito do ser que governa um mundo tão imensuravelmente grande como o universo visível? E então multicidade de crenças e idéias pareceram se engrenar. Foi uma solução muito vaga para enigma irresolúvel, mas ainda assim, uma solução. É isso!

2 ideias sobre “De Volta Ao Velho Deus – Um Soneto Escuso, Nefasto E Digno

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